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A luta para combater o DESABASTECIMENTO
O Programa Metropolitano de Água (PMA), somado a outros empreendimentos, visa à estabilização e qualidade do fornecimento
No processo de distribuição de água por uma companhia do setor – seja qual for a região ou país do mundo –, as aglomerações urbanas costumam ser subdivididas em setores de abastecimento. Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), a maioria das regiões costuma ter suprimento regularizado, mas, em outras, o fornecimento é, às vezes, insatisfatório. Foi a partir dessa constatação que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) implantou, no inverno passado, o rodízio de abastecimento. A estratégia visou garantir o fornecimento aos moradores das regiões mais críticas, geralmente áreas mais altas e distantes dos reservatórios. Caso o plano não tivesse sido posto em prática, a água poderia faltar dias seguidos nessas localidades. O rodízio constituiu-se, então, numa medida operacional que permitiu administrar a distribuição de água de forma equânime, evitando que sempre os mesmos consumidores de uma determinada região fossem afetados pelas torneiras secas. De há tempos que a Sabesp luta para romper um círculo vicioso histórico. Examinando-se a história do saneamento em São Paulo, verifica-se que várias obras foram feitas, desde o século passado, mas sempre com déficits de abastecimento. Ou seja, a oferta de água sempre foi menor que a demanda.
AS METAS DO PMA Esse comportamento recorrente vem dos tempos do primeiro aproveitamento da represa Guarapiranga, no final da década de 20, e se mantém até o sistema Alto Tietê, que iniciou sua produção em 1992. O motivo básico dos déficits foi sempre a falta de investimentos em produção, adução, reservação e distribuição, bem como de políticas de conservação de mananciais e de uso racional da água. Foi então – para tentar suprir as deficiências – que a Sabesp desenvolveu, em 1995, o Programa Metropolitano de Água (PMA). O programa, um conjunto de 80 grandes empreendimentos, tinha como meta regularizar o abastecimento em toda a RMSP, até o final de 1998. Compreendeu três frentes: aumento da capacidade dos mananciais, aumento da capacidade de tratamento e ampliação da reserva e distribuição de água. Na batalha para evitar o desabastecimento de água, essas obras tiveram início em 1996 e foram concluídas em 1998. Ainda assim, quando o assunto é fornecimento de água, nunca se pode dizer que houve resolução final dos problemas. É fato sabido que o ciclo de dificuldades se renova à medida que a população cresce, se desloca de região ou surgem novos fatores, em muitos casos imponderáveis.
Em 1996 - Entre os empreendimentos levados a efeito em 1996, pode-se citar o do booster Cangaíba, em março daquele ano. Com a interligação da nova unidade de bombeamento ao sistema, possibilitou-se a distribuição de 2.100 litros de água por segundo às regiões de Ermelino Matarazzo, Cangaíba, Jardim Popular e São Miguel Paulista. Outra obra daquele ano foi a adutora Guaianazes. Em virtude do crescimento habitacional, aliado à construção de conjuntos habitacionais, desde 1986, a população de Guaianazes havia passado a conviver com o rodízio de abastecimento. Foram dez anos de situação crítica, até que a duplicação da adutora, com 1,6 quilômetros de extensão, permitiu que se ampliasse a oferta de água em 250 litros por segundo. Também foi providenciada a interligação Alto Tietê/Rio Claro, pois desde 1994 o fornecimento para a região abastecida pelo reservatório Sapopemba era interrompido 24 horas a cada dois dias. Após a transferência de 500 litros de água por segundo do sistema Alto Tietê para o Rio Claro foi dado um alívio à situação dos habitantes do bairro de Sapopemba e municípios de Mauá e Santo André. Por seu lado, com a inauguração, em junho daquele ano, da duplicação da adutora Jandira/Itapevi, ampliou-se a oferta de água para o município de Itapevi em 70 litros por segundo, beneficiando cerca de 120 mil moradores da região. Finalmente, o sistema Jardim Arpoador, cujas obras tinham sido iniciadas em 1993, constituídas por um reservatório metálico com capacidade para armazenar 5 milhões de litros de água, uma adutora de 1,1 quilômetro e uma unidade de bombeamento. A conclusão do complexo, em dezembro de 1996, proporcionou a melhoria da vida de 50 mil moradores do Jardim Arpoador.
Em 1997 - Com a duplicação da adutora Jaguara/Mutinga e sub-adutora Mutinga, foi possível melhorar o abastecimento para os municípios de Osasco e Barueri. Também a ampliação do sistema Baixo Cotia, em junho de 1997, acrescentou 150 litros de água por segundo aos municípios de Barueri, Jandira e Itapevi. Em julho daquele ano foi efetuada, em parceria com a prefeitura de São Bernardo do Campo, a interligação da adutora Nova Petrópolis/Planalto, com extensão de 1.250 metros, aumentando o fornecimento em 200 litros por segundo. Resultado: benefício direto para 600 mil moradores de São Bernardo do Campo e Diadema. Alguns outros empreendimentos do ano foram a ampliação da estação de tratamento de água Rio Grande, que beneficiou diretamente 545 mil pessoas e indiretamente 1,3 milhão de habitantes do ABCD, e a ampliação da estação de tratamento Alto Cotia. Esta foi concluída em dezembro daquele ano. Com isso, a produção passou de 900 para 1.300 litros de água por segundo.
Em 1998 - Em fevereiro de 1998 foi entregue a primeira etapa da duplicação da adutora Itaquaquecetuba/Arujá, com 13,2 quilômetros de extensão. A segunda fase foi concluída em setembro, abrangendo a construção de três reservatórios com capacidade de armazenamento de 16 milhões de litros, 13,5 quilômetros de adutora e uma nova estação elevatória. Benefício para os habitantes de Itaquaquecetuba e do bairro de Bonsucesso, em Guarulhos. Mais dez obras foram efetuadas no ano: (1) Estação elevatória ABV/Interlagos, beneficiando setores da Chácara Flora, Interlagos e Shangri-lá. (2) Duplicação da adutora Vila Brasilândia e ampliação da estação elevatória, melhorando as condições de abastecimento de Vila Brasilândia, Jaraguá e município de Francisco Morato. (3) Adutora Guaraú/Lapa, beneficiando 600 mil pessoas da Lapa, USP, Vila Romana, Vila Madalena e Freguesia do Ó; e, indiretamente, 500 mil de setores de Pirituba, Vila Jaguara e Mutinga (Osasco). (4) Adutora Guaió/Itaquera/São Miguel, beneficiando 1 milhão de moradores de Guaianazes, Itaquera, São Miguel Paulista e municípios de Itaquaquecetuba e Arujá. (5) Ampliação da estação de tratamento de água Taiaçupeba. (6) Booster Francisco Morato, beneficiando 125 mil habitantes dos municípios de Franco da Rocha e Francisco Morato. (7) Nova estação elevatória de água da Consolação, beneficiando a região do espigão da avenida Paulista. (8) Adutora Moóca/Cadiriri, favorecendo São Caetano do Sul, Jabaquara, Ipiranga e Sacomã. (9) Quinta adutora do sistema Rio Grande, ampliando a oferta para os municípios de São Bernardo do Campo, Diadema e parte de Santo André. (10) Oitava linha do Guarapiranga e ampliação da estação de tratamento de água ABV, beneficiando a região sudoeste.
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