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Pavimento de concreto,

nova tendência para rodovias

 

A utilização de pavimentos de concreto 

na recuperação de pistas da SP 79 

e construção de marginais da Castelo Branco

são os primeiros sinais da mudança

 

Uma experiência inédita no Brasil está em curso na rodovia SP 79, próximo à cidade paulista de Sorocaba (a noroeste do Estado), no trecho que liga o município de Votorantim às fábricas de cimento e de papel das Indústrias Votorantim, que está passando por um processo de recuperação e duplicação da pista: lá o pavimento de rolagem está sendo executado inteiramente em concreto. O projeto só pôde ir à frente graças a uma parceria entre a prefeitura de Votorantim, o grupo Votorantim e o DER - Departamento Estadual de Estradas de Rodagem.

O trecho em obras tem 4,5 quilômetros e liga o centro da cidade de Vorantim ao bairro de Santa Helena, onde estão localizadas as unidades industriais da Votorantim. Após a construção da segunda pista, o pavimento antigo, de asfalto, será recuperado com o moderno sistema de pavimento de concreto conhecido internacionalmente como whitetopping, aplicado pela primeira vez no País.

A iniciativa reflete uma tendência que tem tudo para se consolidar. Isso é tanto verdade, que a concessionária Viaoeste – responsável pelo trecho entre São Paulo e Sorocaba da rodovia Castelo Branco – e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) acabam de firmar parceria para utilizar pavimento de concreto na construção das marginais daquela estrada, em São Paulo.

Nos Estados Unidos, 20% das rodovias utilizam concreto e a previsão é de que este percentual dobre em dez anos. Na América Latina, o Chile lidera o ranking do uso deste tipo de material e, na Alemanha, o concreto é utilizado quase na totalidade das vias públicas.

Entre as vantagens do pavimento de concreto para pistas de rolamento em rodovias estão o baixo gasto com manutenção: dependendo do caso, chegam a ser 85% menores do que o dispendido com pavimento asfáltico. Mas há outros benefícios, como maior segurança e redução na frenagem dos veículos de até 40% (em superfície molhada), redução de até 20% do consumo de combustível desses mesmos veículos e economia entre 30 e 60% no gasto com energia elétrica na iluminação, devido à superfície clara oferecida pelo concreto. O fator principal, porém, é a maior durabilidade do material.

No caso do trecho da SP 79, em Votorantim, o prefeito João Souto Neto confirma que o expediente da parceria foi de extrema importância, já que a prefeitura não teria recursos para as obras. "Além de melhorar as condições de rodagem da pista, a duplicação dará mais segurança aos moradores da região, graças à implantação de rotatórias, alças de acesso e com viadutos no acesso ao bairro de Santa Helena, que evitarão acidentes", diz ele.

De olho sempre na qualidade e durabilidade, a construção da segunda pista da SP 79 (que conta com assessoria técnica da ABCP) está sendo feita sobre uma sub-base de concreto compactado com rolo. Trata-se de uma mistura de areia, brita, água e baixos teores de cimento, compactada com rolos compressores. Na recuperação da pista antiga, está sendo utilizado o whitetopping. O novo processo consiste no recapeamento da rodovia com um pavimento de concreto, fazendo com que o asfalto existente sirva como sub-base para o novo pavimento.

Devido ao grande volume de carga que era transportado nesse trecho da SP 79, de perímetro urbano, o asfalto estava todo deteriorado e de pouco valeria proceder-se ao recapeamento, devido à baixa durabilidade desse material. Pelo trecho passam aproximadamente 320 mil toneladas de cimento por mês (mais de 500 caminhões por dia), fora os caminhões de papel que saem das fábricas da Votocel, do grupo Votorantim.

Segundo Márcio Rocha Pitta, assessor técnico da ABCP, a grande vantagem do whitetopping é justamente a possibilidade de aplicar o novo pavimento de concreto diretamente sobre o asfalto velho, dispensando as etapas de preparação do terreno, construção de sub-base e outras atividades preliminares. "Com essa técnica é possível reduzir o custo e o prazo da obra, garantindo a mesma durabilidade do pavimento de concreto tradicional", explica ele.

No caso das marginais da rodovia Castelo Branco, o pavimento de concreto está sendo aplicado no trecho entre os quilômetros 13,7 e 24, ou seja, entre o bairro Alphaville, em Barueri, e o Cebolão. A ABCP, parceira da concessionária Viaoeste nessa obra, será responsável pela assessoria técnica, controle tecnológico e pelo fornecimento de equipamentos a serem utilizados. A parceria envolve ainda algumas empresas fornecedoras de concreto usinado em central, casos da Votorantim, a Votoraço, a Yma e também a Pella Construções, que responderá pela execução dos serviços.

A obra deverá estar concluída em dezembro de 2001. O trecho a ser pavimentado exigirá 87 mil metros cúbicos de concreto e aproximadamente 43 mil metros cúbicos de concreto compactado com rolo para sub-base.

Segundo o diretor de engenharia da Viaoeste, José de Oliveira Sobrinho, o conforto para o usuário, a durabilidade e o baixo custo de manutenção foram as principais razões técnicas e econômicas para a opção pelo concreto. "Com o desenvolvimento da tecnologia nesse tipo de pavimento, acreditamos que teremos uma rodovia com nível equivalente as do Primeiro Mundo", aposta ele.

 

         

     

 

             
     

 

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