HOME revista ENGENHARIA    

www.brasilengenharia.com.br

 

e d i ç ã o  5 3 5 / 1 9 9 9 

                          

 

META OUSADA 

EM VISTA

CDHU anuncia objetivo de construir 250 mil 

novas moradias até o final de 2002

 

O presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), Goro Hama, engrenava as marchas em sua segunda gestão consecutiva, rumo a uma meta bastante arrojada: construir 250 mil novas moradias populares até dezembro de 2002. Para tanto, a companhia – vinculada à Secretaria da Habitação – prevê o investimento de R$ 4 bilhões, o dobro das aplicações efetivadas na administração encerrada em dezembro do ano passado, em que foram entregues 120 mil unidades.

Hama diz que será uma verdadeira operação de guerra. "Numa visão diferenciada de tudo que fizemos até agora, pretendemos erguer 150 mil unidades unicamente com os recursos da CDHU", adianta ele. Será feita também articulação no âmbito do próprio governo estadual, com outras secretarias – além da de Habitação – que, de alguma forma, estejam envolvidas com iniciativas habitacionais. "Sem receio de estar exagerando, diria que os parâmetros dessa operação – pela sua ousadia e dinamismo – se assemelham ao projeto emergencial para a construção de 100 mil tetos por ano, na França do pós-guerra". A favor da companhia está o know-how adquirido nos últimos quatro anos, com a introdução de melhorias que aceleram o processo de edificação.

Segundo Hama isso terá reflexos no mercado. "Não resta dúvida de que haverá aquecimento". Só para visualizar melhor aqueles números, na prática, basta dizer que a quantidade de tijolos a ser utilizada na construção das unidades equivale a um muro de mil quilômetros com 1,8 metros de altura. Expressam também a utilização de 15 milhões de sacos de cimento, 750 mil torneiras, uma quantidade de telhas que daria para cobrir as duas pistas da rodovia dos Bandeirantes, da capital até Campinas. Ou, ainda, 1,75 milhão de peças de caixilharia – janelas, venezianas e portas – e um milhão de interruptores.

 

Outros segmentos - Na CDHU, estima-se que, naquele mesmo período, poderá se chegar a 20 mil unidades em diversos setores, como, por exemplo, o de reassentamentos e o de construção de casas para funcionários públicos, por meio do Ipesp e financiamentos da Nossa Caixa. "Haverá muito reassentamento em casos de enchimento de represas pelas companhias energéticas e de outras obras públicas como as programadas pelo DER, Dersa, Metrô, CPTM e outras", prevê Hama.

"É importante lembrar que temos convênio com o governo federal para ajudar a Caixa Econômica Federal (CEF) a administrar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por meio do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) e do programa de Procred Associativo", frisa ele.

O primeiro destina-se à Região Metropolitana, numa dotação de R$ 1 bilhão para 30 meses. "Já estamos definindo as localizações para arrendamento comercial destinado à população com rendimento entre um e seis salários mínimos". Quanto ao segundo, já foram assinados acordos com a Polícia Militar e Polícia Civil destinados à construção de 10 mil unidades para os membros das duas corporações. Há, além desses, um programa bastante abrangente que beneficia os funcionários públicos estaduais, com aproveitamento dos recursos da CEF. A companhia também está negociando fórmulas com vários sindicatos e cooperativas, de modo a que elas possam participar, de uma maneira organizada, do plano habitacional do governo estadual, aproveitando-se de recursos próprios, do Estado e do governo federal. "Estamos analisando vários estudos, já realizados, que identificam as regiões mais carentes e apontam as localidades que deveriam merecer prioridade para a construção de casas", informa Hama.

Ele conta que outro trabalho importante está sendo realizado na região central da capital e também em várias áreas da Região Metropolitana: o programa de cortiços. "Já conseguimos acolher cerca de 3.700 moradores de cortiços em vários edifícios adquiridos pela CDHU". No momento, a companhia está levando adiante o projeto de reforma dessas áreas para adequá-las aos moradores. "Alguns serão vendidos para as famílias", confirma. Os prédios onde essas pessoas moravam, geralmente deteriorados, são demolidos assim que as famílias se retiram, para evitar que outra leva de gente ocupe o lugar.

 

Qualihab - Em sua entrevista à revista "Engenharia", Hama falou longamente sobre um de seus temas prediletos – o Qualihab e seus impactos, tanto imediatos como futuros, sobre o setor da construção civil como um todo.

O Qualihab (Programa da Qualidade da Construção Habitacional do Estado de São Paulo), instituído no final de 96, foi desenvolvido pela CDHU para articular os diversos setores da construção visando à qualidade e eficiência, fornecendo parâmetros depois incluídos como exigências nas licitações da companhia. A implantação foi gradativa, conforme metas e prazos estabelecidos em acordos setoriais firmados com dezenas de entidades de classe que fazem parte da cadeia produtiva do setor da construção. A intenção é induzir a totalidade dos segmentos envolvidos a deixar de produzir em não conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). "Pode-se dizer que, de dois anos para cá, avançamos bastante", considera ele. Já são 24 setores parceiros do Qualihab e todos já apresentaram seus planos setoriais de qualidade. "No total, são mais de 900 empresas já qualificadas em algum dos vários níveis do programa".

O presidente da CDHU informa que as empresas que compõem esses setores são, basicamente, de serviços, de engenharia, arquitetura, gerenciadoras de serviços, empresas de qualificações, de sondagem. Mas há também as que produzem materiais, tudo incorporado às normas técnicas, tudo com plano setorial de qualidade. Esse plano consiste em cada empresa, cada qual no seu setor, apresentar os resultados da execução de seus trabalhos, submetendo-os à aferição de terceiros.

No decorrer do processo novas normas foram surgindo e algumas metas mais arrojadas, também. Essas metas vão sendo apresentadas à CDHU que simplesmente faz um acompanhamento, para verificar se cada setor está repassando os compromissos de adequação às normas técnicas – ou seja, tamanho, resistência, qualidade do material, acabamento e outros – a seus associados. "Os números são bastante significativos: os 24 setores signatários do Qualihab representam pouco mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), em termos de produção"...

...Na medida em que todos os segmentos de produção e serviços forem sendo normatizados, por meio do Qualihab, o ex-presidente da CDHU calcula que será possível levar para a outra ponta – onde estão as milhares e milhares de lojas de materiais -, produtos de melhor qualidade, mais seguros e também mais baratos para a população em geral.

         

     

 

             
     

 

 entrevistas

  reportagens

        &  artigos

 


 

 

 
   
 
 
   
   
     
 

 

 

 

 

 

 

   
 

 

 

 

 

   

   
 

para ler a matéria completa

adquira a edição 535/1999 da Revista ENGENHARIA

   

ENGENHO EDITORA TÉCNICA LTDA. / Todos os direitos reservados, proibida a reprodução / Copyright© 2000