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parceria ESTADO E INICIATIVA PRIVADA propicia mais energia
Embora a possibilidade de ocorrência de "blackouts" seja ainda um fantasma onipresente que, certamente, tira o sono de muita gente, as recentes inaugurações no setor de geração de energia elétrica, com direito a muita festa e discursos entusiasmados do governador Mário Covas, representam um alívio para toda a economia que depende desse insumo. No dia 29 de junho último, ocorreu a inauguração das máquinas 4 e 5 do sistema de Aproveitamento Múltiplo Três Irmãos, localizado no rio Tietê, na divisa dos municípios de Pereira Barreto e Andradina, propiciando a incorporação de mais 320 megawatts (MW) à rede sul-sudeste-centro-oeste. Em seguida, no dia 13 de julho, Covas esteve em Cândido Mota para entregar o Complexo Canoas, localizado no rio Paranapanema, formado pelas Usinas Hidrelétricas Canoas I e Canoas II, que vão produzir, respectivamente, 82,5 e 72 MW, reforçando em 154,5 MW a oferta de eletricidade ao sistema da região sul-sudeste do país. As duas inaugurações, no entanto, embora tenham igual objetivo de gerar energia para iluminar casas e movimentar máquinas, têm ingredientes próprios, retratando duas situações políticas onde a opinião pública cultiva as mais profundas dúvidas. A Usina Três Irmãos é uma obra da Companhia Energética de São Paulo – CESP, empresa do governo do Estado de São Paulo, enquanto o Complexo Canoas, embora tenha sido iniciado pela própria CESP, é hoje uma empresa pertencente à iniciativa privada. A onda da privatização, que deverá engolfar também a Usina Três Irmãos, parece ser irreversível tendo já alcançado todas as praias da economia brasileira, embora ainda encontre resistências no seio da sociedade. As manifestações contra as privatizações em âmbito nacional, como a recente marcha a Brasília, podem não abalar o novo modelo econômico adotado no país mas, certamente, vão suscitar candentes debates em todos os setores. As empresas que assumirem o lugar do Estado na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, bem como as atividades de comunicação, produção de petróleo, operação de rodovias e outras terão de mostrar competência, para evitar os "blackouts", o caos na telefonia e os buracos nas estradas para ganhar a confiança dos consumidores. Estes, em última instância, é que irão avalizar a política econômica, sem o qual o governo não terá condições de se sustentar. A privatização da CESP - Em 1996, o governo do Estado de São Paulo promulgou a Lei nº 9.361 para reestruturar societária e patrimonialmente as empresas do setor energético, preparando-as para a privatização. Desta maneira, no dia 1º de abril último, a CESP foi dividida em três empresas: a própria CESP que continuará operando as usinas de Ilha Solteira, Jupiá e Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), no rio Paraná; Três Irmãos, no rio Tietê; Paraibuna, no rio Paraibuna; e Jaguari, no rio Jaguari, que juntas totalizam 7,6 mil MW instalados (quando a usina Engenheiro Sérgio Motta estiver concluída). A outra empresa é a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, cuja potência instalada é de 2,6 mil MW compreendendo as usinas de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava, rio Tietê, Água Vermelha, no rio Grande; Caconde, Euclides da Cunha e Limoeiro, no rio Pardo. A terceira empresa é a Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, com 2,3 mil MW de capacidade instalada, compreendendo as usinas Canoas I e Canoas II, Jurumirim, Chavantes, Salto Grande, Capivara, Taquaruçu e Rosana, localizadas ao longo do rio Paranapanema. Paranapanema - A Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema já passou para as mãos da iniciativa privada, como deverá ocorrer com a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, segundo as condições do processo de desestatização da CESP apresentadas ao público no dia 6 de abril. Este segundo leilão deverá, antes, ser precedido pelo equacionamento da questão do uso da Hidrovia Tietê-Paraná... |
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