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Qualidade à brasileira, 

um novo conceito

 

A passagem, da construção civil, do estágio de processo artesanal para o de indústria de montagem, adquire contornos irreversíveis, apesar das resistências que ainda sobrevivem. Certas posturas e vícios de comportamento ainda estão por mudar, paralelamente ao que se refere ao conhecido tripé tecnologia/qualidade/produtividade.

Sinal dos tempos, sete anos atrás se fundava o ITQC - Instituto de Tecnologia da Qualidade na Construção, mesma época em que um grande número de empresas brasileiras começou a desaparecer - umas foram incorporadas, outras simplesmente deixaram de existir, porque não souberam se renovar em tempo hábil. E antes ainda, o Instituto de Engenharia, se adiantando, já havia deflagrado a discussão em torno do problema, "A criação do ITQC foi uma das conseqüências da preocupação dos diversos segmentos do setor da construção civil com sua sobrevivência, lembra o vice-presidente do órgão, profº Vahan Agopian. "Eles se juntaram e criaram o ITQC, que é apenas um aglomerador, incentivador da evolução da tecnologia e da qualidade. O Instituto não executa, apenas levanta o problema, articula e, principalmente em projetos de âmbito nacional em que trabalham várias instituições, o ITQC atua como canalizador e integrador de informações, viabilizando trabalhos e estudos".

Para o profo Vahan, "há muito a ser feito ainda no Brasil, pela melhora da construção civil, uma indústria atípica no mundo inteiro, o que não quer dizer que nossa indústria seja pior do que a americana, japonesa, ou australiana. Ela é diferente".

Ele concorda que, "quando se fala em qualidade, não existe esse fator isolado, mas todos os elos da cadeia ficam envolvidos: o material, a execução, a manutenção, a fiscalização e assim por diante. A construtora tem de interagir com a empreiteira, quando uma construtora implanta qualidade, ela acaba incentivando toda a corrente produtiva".

Resultados a desejar - "Na realidade, ainda temos muito o que avançar nesse terreno. Vivemos muito tempo sem uma competição real, não havia nada que atrapalhasse a vida das empresas existentes, e cada um tinha o seu procedimento, as suas regras", enfatiza Luiz Rodolfo de Moraes Rêgo, gerente de marketing da Gerdau, ressaltando que "na medida em que o Brasil foi entrando na economia globalizada isso foi mudando e o aspecto da competição deixa de ser simples como era antes e passa a ser mais complexo. O caso não é mais competir com a empresa estrangeira, mas com as que estão aqui, cada uma buscando o aprimoramento para se tornar cada vez melhor".

Para ele, ainda se investe muito pouco em treinamento de mão-de-obra. Em outros países, de tecnologia mais avançada, um operário é treinado pelo menos 120 horas por ano. No Brasil, o caso da Gerdau é um exemplo a ser seguido - já estamos oferecendo mais de 80 horas de treinamento"...

         

     

 

             
     

 

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