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HENRI PHILIPPE REICHSTUL

 

 

a Petrobras, preparada para competir

 

Orgulho de todos os brasileiros, por um lado, e alegria dos acionistas, por outro, a Petrobras pode ser considerada, atualmente, um modelo emblemático de seriedade e prestígio no País. Prestígio que sobe cada vez mais, tanto que o governo federal, atento a essa preciosa fonte não só de divisas como de popularidade, colocou na presidência da empresa, em março do ano passado, o banqueiro e economista Henri Philippe Reichstul, formado em Economia pela USP com pós-graduação em Oxford, nascido em Paris, naturalizado brasileiro. Colega do presidente Fernando Henrique na fundação do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), onde se reuniam intelectuais e acadêmicos na época do regime militar, trabalhou para a Secretaria das Finanças do Estado de São Paulo em 1983, de onde foi para Brasília atuar no setor de planejamento do governo federal. Em 88, Philippe Reichstul já era um especialista em operações das estatais brasileiras, mas permaneceu durante praticamente uma década como vice-presidente executivo do Banco Inter American Express, em São Paulo.

Agora, Reichstul vem implantando uma estrutura administrativa moderna na Petrobras, dividindo-a em unidades de negócios e criando centros de lucros, além de direcionar a produção para um padrão de qualidade em toda a sua extensão, com ênfase na tecnologia de exploração em águas profundas, na sua formidável rede de polidutos e na reavaliação e diagnóstico global de todas as instalações da empresa, após o vazamento de 1,3 milhões de litros de óleo na Baía da Guanabara, ocorrido em janeiro passado. "Além disso, aprovamos e começamos a executar 16 projetos prioritários voltados para o meio ambiente e segurança industrial, abrangendo as áreas de exploração e produção, refino, terminais e transporte, nos quais serão investidos R$ 1,8 bilhão entre 2000 e 2003", prossegue o presidente da empresa.

Já na petroquímica, estão sendo definidas em sua gestão, através do novo Planejamento Estratégico, as linhas gerais para uma nova forma de atuação "com forte motivação pelos resultados", pois a Petrobras "quer estar alinhada com as grandes empresas internacionais". Some-se a isso a atividade em fontes alternativas de energia, como o gás natural - só o contrato da Petrobras com a Bolívia prevê fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia - e o prato forte que consiste em projetos no exterior, principalmente na América Latina, Costa Oeste da África (Angola, Nigéria e Guiné Equatorial) e Golfo do México.

Líder mundial em perfuração oceânica de grande profundidade, em janeiro de 99 a companhia valia em bolsa R$ 12 bilhões. Atualmente, seu valor já chega a R$ 45 bilhões e, pelo menos por enquanto, o governo não pensa em sua privatização, como já fez com outras estatais lucrativas. Mas o grande motivo de orgulho para Philippe Reichstul agora é de que "a Petrobras, se não for a empresa com o maior número de certificações ambientais pelas normas ISO, em todo o mundo, é uma das primeiras no ranking internacional".

Leia, a seguir, parte de sua entrevista exclusiva à REVISTA ENGENHARIA.

 

REVISTA ENGENHARIA - De que forma o Sr. avalia, no momento, a situação da engenharia brasileira como detentora de tecnologia e geradora de empregos e negócios no segmento relacionado à petroquímica? Como poderá se desenvolver a efetiva participação deste segmento no crescimento da economia e dos benefícios sociais nos próximos meses?

PHILIPPE REICHSTUL - Como indústria de base, os dividendos sociais dos investimentos na área petroquímica ramificam-se por quase todas as atividades econômicas. Agrega eficiência, gera empregos, permite a modernização da indústria. Facilita a embalagem e a distribuição de produtos. Melhora o desempenho e a segurança de automóveis, utensílios domésticos, materiais médicos etc. Na verdade, a petroquímica entra no cotidiano das pessoas de forma quase imperceptível. É uma facilitadora. Uma geradora de melhorias. E um setor que influencia acentuadamente o nível de emprego. Ela emprega em várias fases e setores: na concepção de projetos ligada à engenharia de processos; na administração de atividades de manutenção; na otimização dos processos produtivos; na engenharia de materiais. A engenharia petroquímica está presente em todos esses ramos. A Petrobras capacita profissionais que podem atuar em todas essas áreas. Vem fazendo isso na instalação do Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro. O engajamento da Companhia no setor petroquímico, redefinido em novas bases com o novo Planejamento Estratégico, será um estímulo adicional ao processo de geração de tecnologia petroquímica no Brasil.

 

REVISTA ENGENHARIA - Em que nível pode ser considerada a qualidade tecnológica nesta área, atualmente? No que ela pode melhorar?

PHILIPPE REICHSTUL - Em diversos campos da engenharia aplicada ao negócio petroquímico o Brasil está entre os líderes. Na área específica de P&D há zonas de competência, mas na minha avaliação há espaço para maiores investimentos.

 

REVISTA ENGENHARIA - Quatro anos depois de vender a Petroquisa, a Petrobras prepara seu retorno ao setor petroquímico. Em que base se dará essa volta? Quais as razões para voltar a esse mercado?

PHILIPPE REICHSTUL - A Petroquisa não foi vendida. O que vendemos foram parcelas significativas de participação na empresa, seguindo política mais geral de diminuição do papel do Estado na economia. O próprio programa de privatizações, reconhecendo a relevância e o potencial da integração das atividades de uma empresa de petróleo com a petroquímica, previu a manutenção de participações consideradas estratégicas. O que ocorreu na privatização foi o fim de um modelo que serviu à implantação da petroquímica no Brasil, fortemente apoiado pelo Estado. Com o Planejamento Estratégico da Petrobras definimos as linhas gerais para uma nova forma de atuação, com forte motivação pelos resultados. O que pretendemos é gerar valor, seja pela integração de operações com o refino, seja pela integração da primeira com a segunda gerações. O Pólo do Rio de Janeiro é um bom exemplo. Ele integra perfeitamente as operações de produção de matérias-primas, onde a liderança da Petrobras é visível, com unidades integradas que produzem eteno e polietilenos. O caráter associativo permanece. Mas em novas bases. Não se trata mais de participar de um conjunto de joint ventures concorrentes, como no passado, mas de negociar parcerias onde os interesses convirjam para geração de resultados. A Petrobras quer estar alinhada com as grandes empresas internacionais de petróleo. Nesse mercado, as grandes tornam-se líderes também no negócio petroquímico. Ela agrega margens aos produtos de refino, compensa os ciclos do negócio de petróleo. O Brasil, em particular, tem um grande potencial de crescimento nesse mercado. Mesmo nos momentos em que o Produto Interno Bruto se retrai, a demanda por produtos petroquímicos cresce. O mercado de resinas, por exemplo, cresceu 8,8% no ano passado, apesar dos resultados macroeconômicos terem sido tímidos. Não podemos ficar fora desse mercado...

 

         

     

 

             
     

 

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