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AS INUNDAÇÕES

DE ÁREAS URBANAS

 

 

POR JÚLIO CERQUEIRA CÉSAR NETO*


 A nossa experiência no trato dos problemas de inundações (ou enchentes), em áreas urbanas, indica que existem algumas colocações e/ou observações, que ainda não foram feitas e, que a sua explicitação seria de alguma valia no sentido do melhor equacionamento de problemas dessa natureza.

Certamente a inundação de qualquer área urbana não é desejada; em princípio, não deveria ocorrer, não é razoável que ocorra; ninguém promove a utilização ou ocupação de um meio físico com a urbanização, pensando que essa área possa vir a ser inundada. O projeto das quadras (lotes) e do sistema viário não é feito para ficar embaixo d’água. A sua utilização, nem diria ideal, mas normal seria num meio seco, mesmo quando chove: se espera que a água da chuva caia sobre o solo, as estruturas e as pessoas e suma.

O responsável por esse sumiço desejado se chama "sistema de drenagem urbana". A chuva é inevitável, não há meio de se impedir que chova. Nem seria bom que não chovesse: a chuva lava o ar e o solo gratuitamente. Ela é necessária e útil. Ela promove a umidade do ar tão requerida pelos sistemas respiratórios dos homens.

Um sistema de drenagem urbana adequado é aquele que promove o sumiço das águas da chuva, após a sua benéfica ocorrência, sem causar transtornos ao funcionamento normal da área urbana.

Daí, decorre que a inundação de uma área urbana é conseqüência de um inadequado sistema de drenagem, ou mesmo, da sua inexistência.

Tudo isso vale evidentemente para a ocorrência de precipitações normais. A chuva é um fenômeno resultante de condições hidrometeorológicas que ainda não podem ser totalmente controladas pelo homem. O sistema de drenagem urbana adequado não teria condições de absorver eventos extraordinários, trombas d’água, cuja ocorrência está fora da normalidade, não ocorrem sempre, se enquadrariam mais como catástrofes do tipo de ventos muito fortes, furacões, inclusive terremotos, que felizmente não temos por aqui.

Na RMSP temos cadastradas cerca de 700 áreas urbanas que freqüentemente são inundadas, sendo 450, só no município de São Paulo. Nessa relação são incluídas aquelas áreas baixas onde a água se acumula e tem seus níveis elevados penetrando nos imóveis e impedindo o trânsito de pessoas e veículos através do viário. Não inclui muitas outras áreas nas quais as águas em excesso escorrem sobre as superfícies dos terrenos e do viário promovendo a erosão dos solos e dos pavimentos e arrastando pessoas e veículos.

Como salientado acima, todas essas situações decorrem de um inadequado sistema de drenagem urbana, ou mesmo, da sua inexistência. Como é possível numa região como a RMSP se ter tantos sistemas de drenagem urbana inadequados ou mesmo não existirem esses sistemas? A engenharia urbana não tem capacidade para dar solução adequada a eles? A tecnologia necessária é inacessível? Os seus custos são proibitivos?

Nada disso. A engenharia nacional conhece e é capaz de projetar, construir, operar e manter esses sistemas. Quanto a seus custos eles existem tanto quanto existem os custos para fazer terraplanagem do terreno e abrir e construir o viário.

O problema apresenta duas distorções básicas e fundamentais. Em primeiro lugar diríamos que o problema é conceitual. Trata-se de entender o que vem a ser o "processo de urbanização" na sua integralidade. O sistema de drenagem urbana é parte integrante do processo de urbanização, seja ele feito sobre uma área virgem, ou já urbanizada (reurbanização)...

 


*ENGENHEIRO CONSULTOR.

 

         

     

 

             
     

 

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