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A MENTALIDADE DO CAOS URBANO
Por Nadir Curi Mezerani
De
dezembro às águas de março a cidade de São Paulo fica inundada. O trânsito
pára e casas desabam dos morros mostrando uma impotência do homem
diante da natureza, mais próxima da pré-história do que de uma era
que tanto se exalta pelos avanços da civilização e da tecnologia.
Todo ano, a repetição desse cenário caótico, vai firmando a crença
de que é insolúvel a situação degradante de metrópoles brasileiras
como São Paulo e Rio de Janeiro. O caos acabou sendo
institucionalizado, faz parte da cidade, assim como a seca do Nordeste
faz parte do país. Esperam-se
as enchentes em dezembro como se espera o Natal, inevitável como um
destino, fatal como uma força da natureza indomável, diante da qual
nada podemos fazer, a não ser ligar a televisão, após enfrentar horas
de engarrafamento, para ver cenas de um redundante apocalipse sazonal
com a contabilidade das perdas e danos, entre mortos e feridos. Há
políticos que acham que a natureza está a serviço da oposição, como
antigos sacerdotes ou primitivos pajés acreditavam que as catástrofes
eram a vingança dos deuses. E
há quem acredite que a solução possa vir de técnicos e não dos políticos.
Técnicos, no caso, são os urbanistas. Mas esperar que só os
urbanistas resolvam o caos urbano e restaurem a urbanidade é incorrer
na mesma ilusão de confiar os planos econômicos aos economistas.
Qualquer proposta urbanística, por mais correta que possa ser, perde
sustentação quando não tem bases sócio-econômicas e também políticas
para se viabilizar. No caso de São Paulo parece evidente que não há
vontade política para realizar qualquer projeto urbanístico. Nem
consciência social para forçar decisões públicas ou privadas...
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