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A REGIÃO METROPOLITANA O MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, A REGIÃO DO GRANDE ABC E O RODOANEL
A convite do Departamento de Desenvolvimento Regional e Urbano, e de Engenharia de Transportes, o prefeito de Santo André apresentou, em palestra no IE, os planos e programas da Agência de Desenvolvimento Regional do Grande ABC. Parte da palestra foi dedicada à Região Metropolitana de São Paulo. Os conceitos por ele emitidos na ocasião coincidem com os temas que a Divisão de Arquitetura e Urbanismo tem privilegiado em sua programação, razão pela qual consideramos oportuna a sua divulgação.
POR CELSO DANIEL*
Encerrando
minha exposição, gostaria de tecer algumas considerações a respeito
da Região Metropolitana de São Paulo. De
início, há que se considerar que, ao longo dessas últimas décadas,
constatamos a existência de uma grande lacuna no pensar a Região
Metropolitana. Em
segundo lugar, e a partir do recente processo de reestruturação da
região do Grande ABC, considero que tornou-se evidente que o município
de São Paulo não tem assumido a responsabilidade de liderança, que
deveria ter, na gestão da Metrópole; não apenas da gestão urbana de
seu próprio município, do município de São Paulo, mas da gestão da
Região Metropolitana. Em
terceiro lugar, considero a riqueza da experiência que estamos vivendo
na região do Grande ABC. Embora tenha a convicção de que experiência
não se transplanta, acredito que a do ABC pode muito bem produzir,
digamos assim, linhas de força apropriáveis pelo conjunto da região
metropolitana da Grande São Paulo, sob forma de cooperação, que
envolva uma articulação não apenas do caos hierárquico, como a que a
Região Metropolitana tem sofrido até agora, situação inclusive
consolidada na própria Constituição de 88. A
articulação que defendemos não é apenas horizontal. Não basta a
presença das prefeituras. É preciso uma articulação vertical, que
envolva também o governo do Estado, as prefeituras e a sociedade civil,
em um processo mais amplo de gestão metropolitana, mais participativo,
que permita, em primeiro lugar, um desenvolvimento econômico, urbano,
ambiental e, em segundo lugar, um desenvolvimento mais equilibrado da
Região Metropolitana. A
propósito, quero lembrar que, o município de São Paulo, em primeira
instância, e também a Região Metropolitana, têm passado por modificações
econômicas extremamente importantes. Houve
pouco debate, seja no município de São Paulo ou na Região
Metropolitana sobre estas grandes mudanças. São Paulo é hoje vista,
inclusive por intelectuais e profissionais de outros países, como uma
das metrópoles mundiais. São Paulo, e isto é do conhecimento de
todos, passa por um processo de esvaziamento industrial. Apesar deste
processo de esvaziamento, a cidade passou também por outras modificações
de natureza positiva. O município assumiu, não poderia ter deixado de
assumir, novas funções, voltadas ao chamado terciário avançado, de
alto valor adicionado, vinculado, por um lado, a este processo de
transformações industriais que, ao terceirizar um conjunto de
atividades, cria novos segmentos no setor terciário. Por
outro lado, como uma grande metrópole, com um grande mercado
consumidor, exercendo uma grande polarização sobre o Brasil e o próprio
Mercosul, São Paulo tem condições de polarizar, e tem polarizado,
atividades do setor terciário; finanças, marketing, apoio às empresas
de uma forma geral, cultura, lazer, entretenimento e uma série de
outras atividades, modernas, de alto valor agregado. Estas
questões tem sido objeto de pouco debate e eu insisto nestes pontos.
Acredito que não é mais possível pensar o planejamento da Região
Metropolitana apenas a partir de seus aspectos físicos e territoriais,
tradição de nosso planejamento urbano, para a Região Metropolitana e
para o Brasil. Sei
que ao levantar estes pontos, aqui no Instituto de Engenharia, poderemos
estar nadando contra a corrente, mas não vejo maiores problemas em fazê-lo,
porque acho que é fundamental conseguirmos questionar e quebrar
conceitos enraizados mas que já não funcionam. Devemos considerar que
repensar a Região Metropolitana significa necessariamente repensá-la
em relação direta com a sua vocação econômica e com as condições
que ela possui. PLANEJAMENTO
E GESTÃO
DA METRÓPOLE Um
exemplo típico diz respeito à concepção que se tem da Região
Metropolitana para um empreendimento de porte como o do Rodoanel. Antes
de levantar esta questão, relembro a necessidade de uma nova
perspectiva de planejamento, que não pode ser apenas multidirecional,
mas precisa também implementar um novo modelo de gestão. Modelo que não
seja, como eu disse, um modelo hierárquico, de cima para baixo, mas que
seja um modelo baseado na perspectiva de cooperação, que articule as
relações horizontais em rede - como se costuma dizer hoje - com as
relações verticais, envolvendo o governo do Estado de São Paulo, o
governo Federal, as prefeituras e a sociedade civil. A integração da
sociedade civil não diz respeito apenas a uma visão de natureza político-partidária,
mas também ao fato de que uma metrópole do tamanho da Grande São
Paulo envolve tomadores de decisão, que não são apenas estatais.
Envolve tomadores de decisão que formam opinião na sociedade civil e
tomadores de decisão do setor privado. São estes últimos os que
constróem a cidade e são fundamentalmente empreendedores ligados ao
setor privado, que tem que ser incorporados ao processo de decisão,
para que ele seja eficaz, para que ganhe eficácia e possa ser
efetivamente implementado...
*PREFEITO
DO MUNICÍPIO DE SANTO ANDRÉ. |
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