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TRATAMENTO

DOS MEIOS DE

DRENAGEM

PLÚVIO-FLUVIAIS

PAULISTANOS*

 

POR RENATO MATTOS ZUCCOLO**


 Para que as obras contra enchentes proporcionem os bons resultados almejados é preciso que as comunidades a serem beneficiadas sejam preparadas educacionalmente e socialmente.

Em nossa cidade, como em muitas outras, são praticadas graves agressões ambientais tais como: predatória eliminação de vegetação, exagerada impermeabilização do solo, descaso com a ocorrência de erosão, arremesso de lixo e entulho nos córregos, falta de limpeza e de desassoreamento nos córregos, invasão dos leitos (não somente por favelas, como também, por construções feitas por pessoas que têm recursos), abuso de galerias fechadas em detrimento de canais abertos, lançamento de esgoto domiciliar, comercial e industrial aos córregos, sem qualquer tratamento, pontes erradas (com vãos insuficientes e principalmente muito baixas), falta de educação da população (dos paulistanos em geral, especialmente no aspecto ambiental).

Tais agressões normalmente se somam como causa de inundações. O controle das inundações deve começar por eliminar essas agressões na seguinte ordem prioritária: impedi-las, evitá-las quando não for viável impedi-las, ou mitigá-las quando inevitáveis.

Além disso, devem ser adotadas ações estruturais, coordenadas com ações não-estruturais.

Exemplos de ações estruturais são:

- implantação de reservatórios conjugados à adequação do leito a jusante, em outras palavras, adoção de "piscinões" e canalização em locais convenientes;

- elevação do nível do piso (com todas as suas implicações) dos imóveis que estiverem "abaixo" dos fluxos fluviais próximos, bem como a adequada elevação do nível das vias públicas e adjacências; e

- simultaneidade da implantação de canalização plúvio-fluvial com a dos coletores de esgoto da respectiva bacia hidrográfica.

Exemplos de ações não-estruturais são:

- implantação e manutenção de áreas verdes;

- ações sanitárias antes das obras (especialmente a desratização);

- difusão da educação ambiental;

- divulgação didática e aplicação de toda a legislação concernente ao uso do solo, regulamentando-se e aperfeiçoando-se o que for oportuno (por fim, cumpre penar os faltosos);

- treinamento do pessoal das esferas governamentais que, se relacionarem com drenagem, para a busca da excelência em seus serviços;

- aprimoramento da coleta de lixo, entulho e outros refugos;

- reassentamento das famílias que devem ser relocadas;

- insistência para que o governo federal, com mais justiça, contribua com recursos financeiros, necessários à solução dos problemas de saneamento ambiental, locais, pois nossa cidade abriga brasileiros de todos rincões da Pátria; e

- aplicação do Código de Obras e Edificações no que diz respeito especialmente: a guarda das faixas não-edificáveis ao longo dos córregos (se tais faixas não forem mantidas, a PMSP poderá ter um acréscimo de mais de US$ 1 bilhão, se houver "direitos adquiridos" pelas construções irregulares, quando das desapropriações necessárias para execução de canalizações etc.); controle de erosão para se evitar custos (que podem chegar a US$ 60 milhões por ano) com desassoreamentos.

As providências acima têm sido geralmente adotadas em graus diferentes pelas administrações municipais, umas mais e outras menos, no desempenho da atribuição e da vocação municipal, que em relação aos recursos hídricos consiste principalmente em evitar o contato dos habitantes com água contaminada...

         

     

 

             
     

 

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