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Arquitetura subterrânea 

do metrô de São Paulo, 

evolução e novos projetos

  

Ivan Piccoli dos Santos 


 

Como todos os discursos que se voltam à análise de objetos arquitetônicos, não podemos descrever os novos projetos das estações que compõem a Linha 4 - Amarela do Metrô de São Paulo, sem considerar o contexto histórico, tecnológico e urbano que estruturou a sua realização.

Dentre estas relações, os métodos construtivos são os argumentos que praticamente condicionam a espacialização de uma estação. Conseqüentemente, os projetos desenvolvidos pelos arquitetos do Metrô de São Paulo sempre tiveram como referência a busca por soluções estéticas e funcionais que refletissem a integração entre as necessidades espaciais e os sistemas construtivos adotados.

Se considerarmos esta simbiose com o método construtivo, o desenvolvimento da arquitetura no Metrô de São Paulo sempre estará caracterizada pelos conceitos associados aos aspectos espaciais. Assim, é possível compreender a evolução e o atual momento da arquitetura metroviária, em função dos detalhes que compõem os espaços de uma estação.

 

A evolução

No início da Linha 1- Azul, a equipe de arquitetos do Metrô assumiu como premissa tirar partido das interações entre o terreno e a construção subterrânea, como por exemplo, a pressão que o terreno exerce sobre as paredes da estação. Relação facilmente observada pela condição explícita que assumiram os elementos estruturais dos espaços nas estações.

Porém, a partir da inserção da clarabóia no centro da Estação Sé, os projetos arquitetônicos romperam definitivamente com os padrões inicialmente adotados, ao quebrarem o aspecto de isolamento subterrâneo das estações.

Como decorrência deste abandono dos padrões anteriores, durante a fase de projeto da Linha 3-Vermelha, a arquitetura do Metrô passou a perseguir uma efetiva integração do ambiente subterrâneo das estações com o entorno, através da utilização de aberturas que permitissem a penetração do ar e da luz natural da superfície até os planos mais profundos das estações.

Como resultado direto destes conceitos, temos na Linha 3-Vermelha a prática de uma arquitetura que permitiu a redução da quantidade das torres de ventilação e da necessidade de equipamentos eletromecânicos de insuflação, itens constantemente empregados na Linha 1-Azul.

Assim, ao possibilitar soluções mais simples, reduziu-se as áreas de intervenção e de edificação, tornando mais econômica a construção das estações.

 

Revendo conceitos

Por ter como um de seus principais trechos a região da Paulista, com o seu alto custo de desapropriação, durante a fase de concepção da Linha 2 - Verde surgiu na Companhia do Metropolitano de São Paulo a necessidade de revisão dos conceitos de intervenções até então praticados.

A redução dos impactos ambientais, a minimização das desapropriações, a redução dos transtornos ao trânsito local e à circulação de pedestres na região da intervenção, tornaram-se os objetivos da equipe de arquitetos do Metrô de São Paulo.

Como resultado da revisão dos conceitos aplicados na Linha 1 - Azul e na Linha 3 - Vermelha, a implantação da Linha 2-Verde representou para o Metrô o desenvolvimento de novas técnicas de escavação do solo, ao adotar como método construtivo o túnel mineiro (NATM) e a enfilagem para a construção das estações.

Dentro deste contexto, a arquitetura foi o elemento catalisador para a materialização dos novos conceitos e para a aplicação das novas tecnologias de construção das estações no trecho sob a Av. Paulista, sendo a forma curva resultante do método NATM empregado para a execução das plataformas a determinante das relações espaciais e o elemento de integração das plataformas.

A preocupação com a redução de impactos no ambiente constituído pode ser facilmente observada nas coberturas dos acessos das estações ao longo da Av. Paulista, onde o partido arquitetônico adotado buscou, através da transparência dos materiais, marcar a presença do Metrô com um mínimo de interferência na paisagem urbana.

Em continuidade ao processo que se iniciara com a implantação da Linha 3-Vermelha, utilizou-se de grandes aberturas com grelhas, que foram dispostas no nível das calçadas para a entrada de ar e no canteiro central para o sistema de exaustão...

         

     

 

             
     

 

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