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UM CONTROLE de custos SIMPLIFICADO
Por Nelson Newton Ferraz*
INTRODUÇÃO Como
engenheiro civil, trabalhando em obras por quase 30 anos, senti na carne
o problema de controlar os custos pois o cliente queria saber quanto
iria gastar e, nós profissionais, literalmente chutávamos um valor e
esperávamos que o valor chegasse perto. Caso isso não ocorresse
culpava-se a inflação, o dólar, o último plano econômico, a moeda
de plantão etc.. Os valores, convertidos em dólar, invariavelmente
detonavam nossas previsões, às vezes até para menos! Menos? Claro, o
orçamento era tão pré-inflacionado que superava a própria realidade,
auxiliado por um plano salvador que mandava todos os nossos estudos
premonitórios para o lixo. Com o tempo nos aperfeiçoamos e passamos a
prever os planos salvadores e controlar o plano que iria controlar a
inflação. Também tinha a correção monetária, pura ficção, que
garantia aos agentes financeiros, ou aos mais fortes, política ou
financeiramente, a parte do filé de qualquer empreendimento. Para os
outros os ossos, se sobrassem! Assim,
por que controlar os custos? O que realmente dava lucro era a ciranda
financeira e o resto servia apenas para justificá-la. É até difícil
recordar: O lucro do empreendimento era secundário, o que valia era o
"resultado financeiro". Caso desse prejuízo, melhor, como
medida de economia, punha-se para fora os participantes fracos e o
resultado era dividido entre os fortes. As instalações, os carrões
etc., eram cada vez mais luxuosos, as mordomias inumeráveis mas não
havia necessidade de explicar nada a ninguém: eles já estavam fora do
empreendimento. Com
o plano Real as coisas mudaram mas esses empreendedores a princípio, não
perceberam, esperavam que fosse somente mais um plano. Quando se deram
conta que não era bem assim, vendo que não dava mais para voltar atrás
(seria muito perigoso) tentaram se adaptar: alguns conseguiram, outros
mais ou menos e um terceiro grupo foi para o buraco e nesse rumo
tentaram de tudo para se segurar, arrastando nesse mister muita gente
que não tinha nada a ver com suas picaretagens: atrasaram pagamentos,
deram calotes, paralisaram empreendimentos etc.! Isso realmente causou
(e ainda causa!) alguma comoção que envolveu empresários inocentes
mas que haviam sido caloteados, partidos políticos da oposição que se
aproveitavam dessa situação, além dos próprios picaretas, é óbvio.
União esdrúxula que representava grupos não preparados para uma
economia estável...
*ENGENHEIRO
CONSULTOR, COORDENADOR DA DIVISÃO DE GERENCIAMENTO DE EMPREENDIMENTOS
DO IE. TRABALHO CONDENSADO. A VERSÃO NA ÍNTEGRA PODE SER CONSULTADA NA
BIBLIOTECA DO IE. |
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