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ENERGIA, ECONOMIA E ECOLOGIA parte II
POR LAURO DE MORAES FARIA*
ECOLOGIA Até
aqui encaramos o emprego da energia relativamente ao aspecto econômico. A
queima de produtos petrolíferos produz resíduos tóxicos e gases ácidos,
estes transportados por correntes aéreas a distâncias consideráveis,
e aqueles constituindo entulho incômodo. O mesmo acontece na combustão
do carvão fóssil. Os
resíduos dos reatores atômicos começaram a inspirar preocupação com
a segurança do elemento humano, confirmada por certos acidentes
ocorridos nos Estados Unidos e na Rússia. Mesmo a produção controlada
do lixo atômico demanda séria atenção. Muitos
produzem, mas ninguém quer guardar esses restos radioativos, cuja
desativação completa é problema ainda não resolvido. Quando
o consumo da energia fóssil engatinhava, por ocasião da primeira
revolução industrial, a imprevidência humana era a regra, atitude que
teria de ser mudada em face do crescimento vertiginoso do uso da
energia. Veja-se,
para se ter uma idéia desse assunto, a afirmação de Riva Jr., de que
os primeiros 200 bilhões de barris de petróleo foram consumidos em 109
anos, de 1859 a 1968, sendo que apenas 10 anos, de 1968 a 1978, bastaram
para o consumo de mais outros 200 bilhões. A
energia fóssil tem sido, e com razão, considerada "vilã"
quando se trata de poluição, pois não somente ela "suja" o
ambiente, como não é renovável – só deixa buracos no solo. Por
outro lado, as energias consideradas alternativas (ao petróleo),
conquanto muito mais limpas do ponto de vista ambiental e sendo renováveis,
trazem também problemas, representados pela destruição de florestas,
com efeito nocivo com relação a faunas e a regimes pluviais em
diversas regiões. É o caso dos lagos para hidroelétricas em regiões
florestadas. O
desenvolvimento das fontes renováveis, aproveitando a energia solar
armazenada nas plantas, grande trunfo para nós brasileiros, que
dispomos de um imenso território em zona tropical bem servida de água,
merece cuidadoso estudo de planejamento, criando-se aí a noção do
"desenvolvimento sustentado". Essa
preocupação tornou-se obrigatória no uso da energia de origem
vegetal, cujos produtores precisam ser altamente conscientes da
necessidade da conservação e também da ampliação dos seus recursos
de matéria-prima, tornando-se os maiores interessados na preservação
dos recursos naturais. Este
enfoque deve ser a resposta que os brasileiros precisam dar a muitos,
que afoitamente apresentam a defesa do meio ambiente de maneira
absolutamente desastrada, impedindo a construção de vias navegáveis
vitais para o desenvolvimento do interior do País e confundindo a
exploração racional dos recursos vegetais com a destruição
desordenada de florestas. A
necessária tarefa de esclarecimentos exige muito trabalho consciente,
num esforço para "separar o joio do trigo", diante da ignorância
geral das populações, da ganância de alguns e do jogo de influências
externas ao País, algumas bem intencionadas, outras matreiras ... Como
a energia fóssil é extremamente "destrutiva", muitos
consideram já seriamente a conveniência de destinar fundos desta
energia em favor da renovável, tendendo a uma compensação e à formação
de recursos para o desenvolvimento de tecnologia da energia renovável. É
uma idéia em curso de elaboração... |
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