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ENERGIA, ECONOMIA E ECOLOGIA parte I

 

POR LAURO DE MORAES FARIA*


 

Qualquer atividade econômica é realizada pela ação da mão-de-obra sobre os insumos da produção, transformando-os em produtos.

Esses insumos são de duas espécies – os gerais e os energéticos.

Os primeiros contam-se por bilhões de bilhões no globo terrestre e representam todo e qualquer material que entra nos processos produtivos, passivamente. Os insumos ativos ou energéticos, entretanto, são a "extensão do braço humano", e agem sobre todos os demais. Representados por algumas dezenas de materiais apenas, a eles se deve o assombroso desenvolvimento econômico-produtivo dos povos.

Este conceito é fundamental para, definindo o papel da energia na economia produtiva, mostrar a sua enorme importância, que todos sentem, mas poucos compreendem devidamente.

Aprofundando mais esta questão, isto é, considerando os insumos da produção divididos em duas classes - os gerais e os energéticos - nota-se que podemos tomar estes últimos como figurando obrigatoriamente em toda e qualquer atividade econômica, seja uma indústria, uma exploração agrícola, mineral ou pesqueira, um comércio, um transporte, um serviço ou atividade educacional ou esportiva, enfim tudo, influindo sempre no custo final. Em outras palavras: a energia está presente em qualquer circunstância, sob alguma forma.

 

DA ENERGIA

PRIMITIVA AO PETRÓLEO

O primeiro insumo energético utilizado foi a lenha, para produzir fogo, à qual juntaram-se o vento, a água e o carvão vegetal. Durante dezenas de séculos era somente disto que se dispunha para a realização de qualquer processo produtivo.

Foi somente após a descoberta da América que se vulgarizou, na Grã-Bretanha, o uso do carvão mineral, o qual se tornou a grande mola a impulsionar a chamada "primeira revolução industrial". O emprego inicial deu-se na máquina a vapor e na siderúrgica a coque.

A descoberta do petróleo, bem como o desenvolvimento da sua destilação, a partir de 1860, presenteou a humanidade com uma nova fonte de energia fóssil, que se expandiu de maneira avassaladora. E houve razão para isso: o fantástico "leque" de produtos obtidos com a destilação permitiu atender com mais economia, simplicidade, comodidade e higiene, as necessidades energéticas.

A substituição da desengonçada e fumegante máquina a vapor pelos mais eficientes e cômodos motores de combustão interna e o emprego dos simples e econômicos queimadores a óleo em lugar das incômodas, sujas e esbanjadoras fornalhas de grelha, são fatores que só podiam ser saudados como bem vindos pela humanidade empreendedora.

O campo dos petrolíferos, porém, não se deteve aí, pois o desenvolvimento da petroquímica, deixando o mundo dos energéticos e penetrando no dos insumos gerais, veio aumentar sobremaneira as possibilidades.

Era preciso que a mãe-terra proporcionasse abundância do produto, para que a bem-aventurança petrolífera fosse ainda mais exalçada. E isso aconteceu pela descoberta de possantes jazidas nos EUA, no México, na Venezuela, na URSS, na Malásia, na África do Norte e do Centro, e em mais alguns lugares, mas a natureza foi particularmente pródiga no Oriente Médio, em torno do Golfo Pérsico. Ali encontrou-se cerca de metade do petróleo conhecido do mundo.

A combinação da utilidade com a abundância propiciou impressionante surto de exploração.

"Os primeiros 200 bilhões de barris foram extraídos e consumidos em 109 anos, de 1859 a 1968. Em seguida, apenas 10 anos (1968-1978) foram suficientes para a extração e o consumo de mais de 200 bilhões de barris". 

O entusiasmo e a confiança na descoberta de novas jazidas eram grandes, começando o uso do petróleo a ser proposto para aplicações tais como ser injetado em altos-fornos, em fornos de produção de aço e no novo ramo siderúrgico - a redução direta. O emprego do petróleo atingiu assim novos setores, numa incontida generalização.

Descobrir petróleo tornou-se o "máximo da felicidade", qualquer nova jazida sendo acolhida com indiscutível "embevecimento", como era, no tempo dos nossos antepassados, a descoberta de minas de ouro.

O quadro da produção de energia no mundo moderno não seria completo, se não considerássemos mais uma fonte energética, também nascida no século XIX, a qual divide com o petróleo a preferência mundial. Trata-se da eletricidade, que em dadas circunstâncias, isto é, nos motores estacionários, na iluminação e nas aplicações térmicas a baixa temperatura, é mesmo mais limpa, prática e econômica.

Das suas duas formas de obtenção - a hidráulica e a térmica - esta última depende, de forma substancial do petróleo, sobretudo através do óleo diesel. A geração térmica da eletricidade é, também, a forma de aproveitamento pacífico da energia nuclear...

         

     

 

             
     

 

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