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ATERRAMENTO

EVOLUÇÃO DO CONCEITO E DA PRÁTICA

 

Por Armando P. Reis Miranda*


 

Resumo

O conceito e a prática de aterramento têm evoluído por etapas. Inicialmente as instalações não eram aterradas. Problemas de segurança impuseram o aterramento como meio de evitar a eletrocussão das pessoas e/ou a destruição de equipamentos.

O aumento da potência de curto-circuito das instalações resultou em variação do potencial dos elementos protegidos, em caso de falta à terra, acima do suportável pelas pessoas, fazendo entrar em cena o condutor de proteção, para limitar essa variação de potencial no entorno. Finalmente, a expansão da utilização de equipamentos sensíveis limitou o nível de variação de potencial admissível, impondo a consideração de zonas limitadas, eventualmente com dispositivos de proteção adequados, dentro das quais se deve garantir uma variação relativa de potencial, compatível com as características dos equipamentos a proteger.

O texto visa analisar estes conceitos e a sua influência nas instalações correntes.

 

PRIMÓRDIOS

Nas duas últimas décadas do século passado foram instaladas as primeiras redes de distribuição de energia elétrica, de início em corrente contínua, sob a influência de Thomas Edison e da General Electric, essencialmente para iluminação e, no princípio dos anos 90 já em corrente alternada, sob a influência pioneira de George Westinghouse, também para força motriz.

Essas instalações operavam isoladas da terra. Os sistemas trifásicos para alimentação de "força" eram a três fios, com o secundário do transformador em triângulo. A vantagem principal residia no fato de um primeiro contato acidental com a terra não atrapalhar a continuidade de operação.

Porém, com o passar do tempo, começaram a surgir também os inconvenientes de operar o sistema isolado, como sobretensões, devidas à ausência de uma referência de potencial na rede.

O passo seguinte foi passar para o aterramento sólido de um ponto da instalação. Nas instalações de "força", esse ponto era inicialmente e por muitos anos ainda, um vértice do triângulo de alimentação da rede. (Existem ainda no Brasil instalações fabris de empresas de matriz americana com esse tipo de aterramento nas redes de potência de baixa tensão.) Nas instalações de iluminação, de início monofásicas a três fios com um condutor neutro central, o ponto médio do secundário do transformador era o ponto lógico de aterramento. Com o rodar do tempo, o ponto preferencial para aterramento das redes de baixa tensão passou a ser o neutro, para sistemas trifásicos.

Porém, também neste caso com o tempo, surgiram inconvenientes da operação com um ponto sólido à terra, consoante as circunstâncias. Principalmente nas instalações de força motriz, um condutor à terra dá lugar a correntes elevadas para falta à terra em um condutor não aterrado, originando, com os primitivos dispositivos de proteção então usados, severa destruição no empilhamento de chapas do estator dos motores, com reparação dispendiosa...

         

     

 

             
     

 

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