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UM PRECURSOR DA INFERÊNCIA ESTATÍSTICA NAS AVALIAÇÕES DE IMÓVEIS EM SÃO PAULO
Por Joaquim Da Rocha Medeiros Júnior*
1.
SINOPSE DO ARTIGO A
inferência estatística teve seu uso suscitado como processo ci-entífico
para avaliação de imó-veis com o advento da NB 502/77. O
reconhecimento da vali-dade do conceito foi deflagrado pelo trabalho
pioneiro denominado "Avaliação de Terras Conflagradas nas Fraldas
Urbanas", apresentado perante o 1º Congresso Brasileiro de Avaliações
e Perícias de Engenharia (São Paulo - 1974), pelo engenheiro Domingos
Saboya Barbosa Filho. Este
artigo traz o testemunho do autor de que, em 1959, portanto há quarenta
anos atrás e quinze anos antes de 1974, o engenheiro Hugo Alves
Pequeno, em São Paulo, com notável antevisão, já cogitava dos princípios
básicos desse sistema avaliatório. 2.
PRÓLOGO 2.1.
A inferência estatística, como ferramenta
científica para avaliação de imóveis, teve seu uso despertado, entre
nós, no ano de 1974, quando o Engenheiro Domingos Saboya Barbosa Filho
submeteu ao 1º Congresso Brasileiro de Avaliações e Perícias de
Engenharia a tese "Avaliação de Terras Conflagradas pelas Fraldas
Urbanas", premiada nesse conclave como o melhor trabalho no
concurso respectivo. Da
lógica evidente, mostrada por ele - que demonstrava a possibilidade de
o campo avaliatório deixar de lado as formulações empíricas
resultantes de meras racionalizações, até então usadas como leis
universais no mister - e do empenho doutrinário de seu culto autor, a
idéia cresceu e frutificou a ponto dos seus princípios básicos, já
na norma NB 502/1977 da ANBT (Associação Brasileira de Normas Técnicas),
destinada à avaliação de imóveis urbanos, terem sido prescritos para
as de precisão rigorosa no tocante aos tratamentos relativos à equivalência
de tempo e de situação e quanto ao campo de arbítrio do avaliador.
Posteriormente, na NBR 5676/89, em vigor, e que se constitui na revisão
da supracitada NBR 502/77, a inferência estatística passou a ser
exigida taxativamente em todos os passos das avaliações rigorosas. 2.2
- O reconhecimento da inferência estatística, como metodologia científica
de trabalho, a bem dizer, deu corpo à Engenharia de Avaliações no
Brasil como uma verdadeira especialidade. O
autor que, como profissional do ramo, tem se interessado e vem
acompanhando, desde o final da década de 60, a evolução das técnicas
avaliatórias e gozou do privilégio de fazer parte das comissões que
redigiram os textos das duas citadas Normas Brasileiras da ABNT e de
outras regionais precedentes e subseqüentes a elas, entende ter o dever
de dar de público um testemunho que, a par de oportuno como parte da
história da Engenharia de Avaliações, faz justiça e serve como
homenagem e reconhecimento à visão do engenheiro Hugo Alves Pequeno,
que militou como perito no foro de São Paulo desde 1953 no campo das
avaliações judiciais, especializando-se em ações expropriatórias,
de 1968 a 1980, dele se afastando, lamentavelmente, em virtude de
problemas de saúde. No
ano de 1959, o engenheiro Alves Pequeno, mesmo antes de terem sido
organizadas comissões de peritos judiciais nomeados pelos MM. Juizes
das Varas da Fazenda Municipal da Capital de São Paulo para redação
de normas e estudos de preços e critérios para avaliações destinados
a desapropriações em massa, das quais participou ativamente, redigiu,
porém por modéstia não divulgou o trabalho reproduzido adiante que
deu motivo ao título deste artigo e que, de fato, já há mais de
quinze anos continha, para dizer pouco, os rudimentos da filosofia do
uso da inferência estatística na avaliação de imóveis. É
oportuno salientar que, embora dito trabalho visasse especificamente a
avaliação de aluguéis de lojas, o engenheiro Alves Pequeno, com
grande lucidez e como que, antevendo o que viria acontecer depois de
1974, ao final do texto deixou explicitado ("verbis"): "O
processo exposto aplica-se, ‘mutatis mutandis’, à avaliação de
terrenos, por isso que também, neste caso, será sempre mais lógico e
correto determinar-se, a partir de valores pesquisados no mercado
imobiliário, para cada local em cada época, o modo de variação dos
valores unitários dos lotes em função de suas profundidades
equivalentes, do que admitir-se ‘a priori’ que essa variação obedeça
a tal ou qual lei matemática"... *engenheiro
civil e eletricista, perito judicial, membro do IBAPE/SP e ABNT,
professor, vice-coordenador da Divisão de Avaliações e Perícias do
IE, e coordenador da Câmara Técnica do IBAPE/SP. |
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