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SEGURANÇA, RUPTURA E COLAPSO DE

TÚNEIS URBANOS

EM NATM

 

POR FRANCISCO RIBEIRO NETO*/ROBERTO KOCHEN**


 

RESUMO

Este artigo apresenta aspectos voltados para avaliação de segurança e estudos de casos de ruptura e colapso de túneis urbanos, executados pelo método "New Austrian Tunnelling Metho" (NATM). Enfoca-se a segurança da obra propriamente dita, das edificações e das redes de utilidades públicas lindeiras. Apresenta-se também um levantamento de casos recentes de ruptura ou colapso de túneis, e sugestões para a avaliação de segurança de túneis executados em NATM, tanto para a fase de projeto como para a fase de construção. Estas sugestões têm por objetivo aumentar o nível de desempenho e segurança destas obras, fornecendo diretrizes mínimas para um acompanhamento eficiente da construção, bem como para elaboração de um projeto adequado.

 

 

1. INTRODUÇÃO

O crescente aumento de acidentes em obras subterrâneas, principalmente em meios urbanos, fez com que se aumentasse a preocupação mundial com a segurança destas obras. Os túneis executados em "New Austrian Tunnelling Method" (NATM), assim como os executados pelos demais métodos construtivos, requerem o desenvolvimento de considerável habilidade e cuidado em sua investigação, planejamento, projeto, construção e monitoração para serem implantados com segurança. Pelizza(1) comenta que os colapsos não são uma prerrogativa do método de escavação, isto é, independentemente do método de escavação pode haver colapso. No entanto, no NATM, a segurança da obra é função intrínseca do método construtivo projetado e da sua correta execução, tornando a avaliação de riscos muito importante. Uma obra subterrânea, tanto em meio urbano como em meio não urbano, deve ser projetada e construída de forma que seja possível controlar e manter em níveis aceitáveis a construção e o impacto ambiental a curto, médio e longo prazo.

A principal motivação para a realização deste trabalho é que, salvo algumas exceções, a pouca literatura referente ao assunto encontra-se não formalizada e/ou dispersa, publicada em anais de simpósios e congressos, em revistas especializadas ou ainda em relatórios internos de circulação restrita.

Segundo Pelizza; Grasso(2), para a indústria de construção de túneis, há  três razões principais para realizar esforços no sentido de reduzir ou, se possível, eliminar rupturas em túneis durante a construção: primeiro, para prevenir atrasos no prazo final; segundo, para evitar disputas relativas a impactos ambientais causados pela ruptura, que resultam em perda adicional de tempo; e terceiro, para ficar dentro do orçamento proposto para o projeto.

Deve-se observar que, mesmo em projetos de boa qualidade, por mais que se controle os níveis de risco, procurando mantê-los aceitáveis, a possibilidade de comportamento inadequado, e de ocorrência de rupturas ou acidentes irá sempre existir. Não existe obra civil com risco de ruptura nulo (Hachich(3)), embora a meta do engenheiro deva ser sempre reduzir a probabilidade de ruptura para o menor valor possível...

 


*ENGENHEIRO CIVIL GEOTÉCNICO, METRÔ/SP. MESTRE EM ENGENHARIA PELA ESCOLA POLITÉCNICA DA USP.

**DOUTOR EM ENGENHARIA, PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE ESTRUTURAS E FUNDAÇÕES, EPUSP. DIRETOR DA GEOCOMPANY TECNOLOGIA, ENGENHARIA E MEIO AMBIENTE.

         

     

 

             
     

 

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